O Consumo da Lactuca sativa L. (Alface) em uma Escola Pública de Porto Real/RJ

O Consumo da Lactuca sativa L. (Alface) em uma Escola Pública de Porto Real/RJ

 

Marilene de Oliveira LEITE*

Coordenadora do Curso de Nutrição

Centro Universitário de Barra Mansa (UBM/RJ)

Isabel Cristina de Souza

Graduada em Nutrição

Centro Universitário de Barra Mansa (UBM/RJ)

 

*Correspondência:

marilene.leite@ubm.br

Introdução

 

O consumo de hortaliças tem aumentado não só pelo crescente aumento da população, mas também pela tendência de mudanças no hábito alimentar do consumidor.1

Provavelmente, esse fato esteja relacionado à maior consciência da população em relação aos benefícios das hortaliças para a saúde. Nesse sentido, elas têm um papel fundamental, pois são consideradas alimentos leves e fonte de fibras, vitaminas e sais minerais. Outro importante fator responsável pelo aumento do consumo desse tipo de alimento é a tendência de crescimento do trabalho intelectual em detrimento do trabalho mecânico, isto é, a necessidade de consumo de alimentos mais ricos em vitaminas e sais minerais, de característica “de manutenção”.2 Entre as hortaliças mais consumidas no Brasil, encontra-se a alface (Lactuca sativa L).3

A cultura desta é largamente difundida no Brasil, sendo considerada a hortaliça folhosa mais consumida no país, destacando-se como cultura de grande importância tanto econômica quanto alimentar. Atualmente, com o aumento do número de redes de lanchonetes do tipo fast-food, vem sobressaindo-se o grupo de alface denominado Crisphead lettuce, ou alface tipo americana. Segundo dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), do total de 25.558 toneladas de alface comercializada em 2001, 29,6% foram de alface tipo americana. O grupo desta se diferencia dos demais, por apresentar folhas externas de coloração verde escura, folhas internas de coloração amarela ou branca, imbricadas, semelhantes ao repolho e crocantes, apresenta maior vida pós-colheita, possibilitando o transporte a longas distâncias, e elevados teores de vitaminas e sais minerais, além de baixo teor calórico.4

A alface, que é uma das hortaliças mais vendidas para serem consumidas in natura, é bastante utilizada na confecção de sanduíches, decoração de pratos, saladas, etc. Além de ser um alimento pronto para o consumo, também é produzido na forma de hortaliça minimamente processada, merecendo, por essa razão maior atenção quanto ao aspecto da saúde pública. Hortaliças frescas, especialmente alfaces, têm sido identificadas como veículos significantes de patógenos relevantes em saúde pública, incluindo a bactéria entero-hemorrágica Escherichia coli.5

A alface é cultivada em todo o território nacional e compõe uma parcela importante dos vegetais da dieta da população, tanto pelo sabor e qualidade nutritiva quanto pelo baixo custo.6

A região Sudeste é a maior produtora dessa hortaliça, que se adapta ao clima ameno, sendo outono e inverno as estações mais apropriadas para o seu cultivo. No entanto, a alta perecibilidade da hortaliça torna seu ciclo produtivo de alto risco no verão, estação do ano em que seu plantio é reduzido, fazendo com que a relação entre oferta e procura e a baixa qualidade do produto proporcione maiores cotações desse alimento. Por outro lado, o uso da cobertura plástica tem viabilizado a sua produção durante todo o ano, pois ela protege as plantas contra danos provocados por chuvas e ventos fortes e pela incidência direta da radiação solar, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, e contra a geada, em regiões cujo inverno é muito rigoroso.7, 8

A alface é uma hortaliça sui generis, sendo um alimento consumido pelo ser humano em quase todas as fases da sua vida. Assim sendo, os jovens, na fase da adolescência, também consomem essa hortaliça ainda que de maneira inadequada em termos nutricionais, pelo fato dela fazer parte dos ingredientes de sanduíches altamente calóricos preparados em fast-foods.

Segundo Leite,9 a saúde da população mundial está se deteriorando gradualmente. Esse fato é bastante evidenciado, sobretudo nos países industrializados, em virtude do aumento de enfermidades em adultos e crianças, o qual pode ser atribuído a várias causas, como a modernização e a complexidade da vida cotidiana e as mudanças observadas na alimentação.

Este estudo objetivou verificar o consumo e a aceitação da alface por adolescentes em uma escola do município de Porto Real/RJ.

Material e Métodos

Para alcançar os objetivos propostos no estudo, a trajetória metodológica eleita foi a pesquisa de campo com característica exploratória, uma vez que a intencionalidade da pesquisa recai sobre a descrição, caracterização e análise do consumo e frequência da hortaliça Lactuca sativa L. (alface) entre os adolescentes.

O instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário com questões fechadas que direcionavam os entrevistados a responder somente o estabelecido pelo objeto de estudo. Antes da aplicação do questionário, foi distribuído um termo de consentimento para os responsáveis dos entrevistados, visto que eles eram menores de idade. Após o retorno do termo de autorização já assinado pelos responsáveis, foram distribuídos os questionários para os participantes, sob a supervisão da pesquisadora.

O questionário utilizado, que é uma adaptação do de Sales et al.,10 abordou o consumo de alface e a frequência alimentar dessa hortaliça pelos entrevistados.

Participaram da pesquisa setenta adolescentes de ambos os sexos, com idades entre 12 e 16 anos, cursando da 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental de uma escola municipal da cidade de Porto Real, município do Estado do Rio de Janeiro. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de Barra Mansa.

Por conseguinte, o estudo não se ateve somente à análise do consumo da alface pelos adolescentes, mas buscou outros elementos que a ele estavam relacionados, por exemplo, outras hortaliças de maior consumo pelos adolescentes e a frequência do consumo semanal destas.

Resultados e Discussão

Dos setenta alunos analisados na pesquisa, 52 eram do sexo feminino e 18, do sexo masculino.

Dentre as cinco hortaliças apontadas na pesquisa, a de maior consumo foi a alface com 33%, seguida da couve, com 31% e espinafre, com 13%. As de menor consumo, porém não menos importantes, foram o agrião, com 11.5%, e o brócolis, com 11.5% (Tabela 1).

Tabela 1. Hortaliças de maior consumo.

 

Hortaliças Nº de Alunos %
Alface 23 33
Couve 22 31
Espinafre 9 13
Agrião 8 11,5
Brócolis 8 11,5
Total 70 100

 

A Tabela 2 mostra o consumo da alface por semana. Segundo a pesquisa, observou-se que apenas 10% consomem essa hortaliça todos os dias. Por se tratar de um alimento que é fonte de fibra e de vitaminas, além de ser barato e acessível, esperava-se que o consumo semanal fosse maior. A maior faixa de frequência de consumo foi a de três vezes na semana. Uma dieta rica em hortaliças reduz os riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, câncer e doenças crônicas. Assim, é importante que, desde cedo, a criança se familiarize com uma alimentação saudável, a fim de evitar doenças futuras.

 

Tabela 2. Frequência do consumo de alface por semana.

 

Nº de Vezes por Semana Nº de Alunos %
Uma vez por semana 6 8
Duas vezes por semana 9 13
Três vezes por semana 10 15
Quatro vezes por semana 8 11
Cinco vezes por semana 3 4
Seis vezes por semana 4 6
Sete vezes por semana 7 10
Duas vezes por mês 2 3
Três vezes por mês 9 13
Não consome 12 17
Total 70 100

 

Dentre os alunos que declararam não consumir alface, sete (58%) afirmaram que não consomem porque não têm o hábito, e cinco (42%) disseram que não gostam, como mostra a Tabela 3.

Tabela 3. Razão do não consumo.

 

Razão do Não Consumo Nº de Alunos %
Não gosta 5 42
Não tem o hábito 7 58
Total 12 100

 

No Brasil, tem sido detectada a progressão da transição nutricional, caracterizada pela redução na prevalência dos déficits nutricionais não só em adultos, mas também em crianças e adolescentes. Segundo teorias ambientalistas, as causas estão fundamentalmente ligadas às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares. Confirmando essas teorias, o consumo alimentar tem sido relacionado ao volume da ingestão alimentar e à composição e qualidade da dieta. Além disso, os padrões alimentares também mudaram, incluindo o aumento do consumo de guloseimas (bolachas recheadas, salgadinhos, doces) e refrigerantes em detrimento do consumo de frutas, hortaliças e leite.9,11

Fica então evidente que, apesar de uma boa parte dos adolescentes consumir as hortaliças alface e couve, outra parte não as consome por dois motivos: não tem o hábito e porque não gosta.

Os cinco alunos que não têm o hábito de consumir hortaliças porque não gostam provavelmente colocarão obstáculos para participarem de programas de educação nutricional, tendo em vista que não estarão motivados a realizar alterações dietéticas. Tal constatação, associada ao baixo consumo de frutas e verduras, conforme observado na amostra, possibilita a classificação dos adolescentes como um grupo de risco, que exige atenção especial no que se refere à promoção de hábitos alimentares saudáveis e à garantia da qualidade de vida futura.

O que esses adolescentes não sabem é que o consumo de hortaliças, especialmente vegetais, que são fonte de carotenoides, vitaminas A, E e C, minerais como selênio e componentes como isoflavonas e ligninas, pode reduzir o risco de doenças como: cardiovasculares, hipovitaminose A, C, anemia ferropriva. Essas vitaminas são importantes na biodisponibilidade de ferro melhorando sua absorção. Cabe ressaltar que os glucosinatos encontrados em vegetais crucíferos, tal como a couve, podem ser importantes anticarcinogênicos.12

Na pesquisa em questão, a alface teve a maior aceitabilidade (33%), sendo, entre as cinco hortaliças, a mais consumida, como mostra a Tabela 1 e a Figura 1. No entanto, a couve também apresentou uma boa aceitação, com 31% de aceitabilidade, apenas 2% de diferença da alface.

A frequência do consumo das demais hortaliças presentes no estudo foi de apenas uma vez na semana ou duas vezes por mês.

Comparando o presente estudo outro feito com crianças pré-escolares, em Viçoca/MG, em 1999, por Castro et al.,13 o consumo de hortaliças semanal revelado em sua pesquisa ficou entre três e quatro vezes por semana, e somente 5% a 7% das 87 crianças entrevistadas, com idade entre 1 e 6 anos, consomem esse alimento. Dentre as hortaliças consumidas, a mais frequente foi a alface, o que o presente estudo também pôde constatar. Embora haja uma diferença grande de idade entre os entrevistados deste estudo, podemos perceber que o consumo de hortaliças ainda é baixo, o que pode resultar ou agravar a deficiência de micronutrientes importantes para o desenvolvimento da criança.

Observou-se, ainda, que crianças em idade pré-escolar, por não saberem e/ou ainda não terem contato direto e conhecimento total sobre os alimentos, costumam consumir mais hortaliças que os adolescentes com hábitos pré-formados e que têm um consumo de energia, se comparado ao dos pré-escolares, muito maior pelas mudanças que essa fase proporciona.9

Apesar das evidências expostas, a comparação com o estudo de Castro et al.13 foi significativa, pois possibilitou constatar que o consumo de hortaliças ainda é baixo nas fases pré-escolar e adolescência. O recomendado é que a ingestão de hortaliças seja diária, pois, todas elas, em especial a alface, possuem nutrientes importantes para a formação e crescimento da criança, podendo prevenir doenças como a anemia ferropriva e até mesmo a hipovitaminose A, que é um caso de saúde pública devido à sua alta incidência no mundo.

Sugere-se viabilizar novos estudos que investiguem, com profundidade, os determinantes dos desvios nutricionais nas comunidades e que testem estratégias para melhorar o consumo das hortaliças, criando, para tanto, meios necessários para impedir o avanço dessa epidemia, que é o mau hábito alimentar. Os achados mostraram também a necessidade de se avaliar melhor e aperfeiçoar os instrumentos de investigação do hábito alimentar de crianças, a fim de minimizá-lo ao máximo.

Conclusão

De acordo com este estudo, percebeu-se que a alface foi a hortaliça mais consumida pelos entrevistados, o que é um bom indicativo, pois ela tem baixa caloria, é rica em fibras e micronutrientes essenciais para o organismo e é de simples cultivo, podendo ser produzida em casa, livre de agrotóxicos, beneficiando a saúde de todos. Então, por que não investir na educação familiar, incentivando as pessoas a cultivar, em casa, essa hortaliça e, ao mesmo tempo, inserir no cardápio dos adolescentes um alimento mais saudável?

Para reverter esses baixos índices de ingestão de hortaliças nas refeições diárias dos escolares, o ideal é que se incentive o consumo desse alimento na escola por meio de palestras educativas e, se possível, inserir a educação nutricional no plano de ensino, principalmente da Pré-Escola ao Ensino Fundamental, o que irá contribuir, sobremaneira, para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis por parte das crianças e dos adolescentes.

Quando se enfoca o problema da mudança de hábitos alimentares em razão dos tipos de alimentos consumidos pelos adolescentes, deve-se evidenciar ações para a sociedade como um todo, para que esse investimento comece na idade pré-escolar e se perpetue nas fases do desenvolvimento, garantindo, no futuro, jovens com hábitos alimentares mais saudáveis.

As intervenções, portanto, devem ir muito além de apenas promover conhecimentos nutricionais. São necessárias ações integradas que visem à saúde das crianças e dos adolescentes, envolvendo famílias, escolas, comunidades, órgãos governamentais e municipais e indústrias alimentícias, além de um sistema de saúde que priorize a prevenção de doenças.

Referências Bibliográficas

 

1. Ohse S, Neto DD, Manfron PA, Santos OS. Qualidade de cultivares de alface produzidos em hidroponia. Sciêntia Agrícola. 2001; 58(1):181-5.

2. Luengo RFA, Calbo AG. Armazenamento de hortaliças. Brasília: Embrapa; 2001.

3. Maistro LC. Alface minimamente processada: uma revisão. Revista de Nutrição. 2001; 14(3):219-24.

4. Resende GM, Yuri JE, Mota JH, Souza RJ, Freitas SAC, Rodrigues Junior JC. Efeitos de tipos de bandejas e idade de transplantio de mudas sobre o desenvolvimento e produtividade da alface americana. Horticultura Brasileira. 2003; 21(3):558-63.

5. Berbari SAG, Paschoalino JE, Silveira NFA. Efeito do cloro na água de lavagem para desinfecção de alface minimamente processada. Ciência e Tecnologia de Alimentos. 2001; 21(2):197-201.

6. Cometti NN, Matias GCS, Zonta E, Mary W, Fernandes MS. Compostos nitrogenados e açúcares solúveis em tecidos de alface orgânica, hidropônica e convencional. Horticultura Brasileira. 2004; 22(4):748-53.

7. Moreira MA, Camargos MI, Fontes PCR. Interação zinco e fósforo em solução nutritiva influenciando o crescimento e a produtividade da alface. Pesquisa Agropecuária Brasileira. 2001; 36(6):903-9.

8. Carvalho KL, Costa RP. Análise das transações na cadeia produtiva da alface. Anais do 28º Encontro Nacional de Engenharia de Produção; 13-16 set. 2008; Rio de Janeiro: Abepro; 2008.

9. Leite MO. Caracterização da qualidade nutricional, microbiológica, física e de vida útil pós-colheita de alface (lactuca sativa l.) in natura, cultivadas por agricultura natural, hidroponia e método convencional, higienizadas e acondicionadas em atmosfera natural [tese]. Seropédica: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; 2007.

10. Sales RL, Silva MMS, Costa NMB, Euclydes MP, Eckhardt VF, Rodrigues CMA, et al. Desenvolvimento de um inquérito para avaliação da ingestão alimentar de grupos populacionais. Revista de Nutrição. 2006; 19(5):539-52.

11. Triches RM, Giugliane ERJ. Obesidade, práticas alimentares e conhecimentos de nutrição em escolares. Revista Saúde Pública. 2005; 39(4):541-7.

12. Philippi ST, editor. Pirâmide dos alimentos: fundamentos básicos da nutrição. Barueri: Manole; 2008.

13. Castro TG, Novaes JF, Silva MR, Costa NMB, Franceschini SCC, Tinoco ALA, et al. Caracterização do consumo alimentar, ambiente socioeconômico e estado nutricional de pré-escolares de creches municipais. Revista de Nutrição. 2005; 8(3):321-30.

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ANÁLISE DA SITUAÇÃO HIGIÊNICO-SANITÁRIA DE RESTAURANTES TIPOS SELF-SERVICE EM UM MUNICÍPIO DO INTERIOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, RJ.

ANÁLISE DA SITUAÇÃO HIGIÊNICO-SANITÁRIA DE RESTAURANTES TIPOS SELF-SERVICE EM UM MUNICÍPIO DO INTERIOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, RJ.

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa –RJ
Alimentação Coletiva (Controle de Qualidade – Segurança higiênico-sanitária em UAN)
AUTORES:Ana Paula Valdetaro, Jilliane Resende  Cristino,  Marilene de Oliveira Leite

ÍNDICE REMISSIVO:Valdetaro, AP; Cristino, JR; Leite, MO

marilene.leite@ubm.br

RESUMO: Observando o crescimento do setor de alimentação, principalmente restaurantes self-services, devido à mudanças de estilos de vida, paralelamente a este, tem aumentado a ocorrência de DTA (doenças transmitidas por alimentos), freqüentemente associada ao uso de serviços de alimentação, tornando a segurança alimentar, a principal preocupação. Justifica-se este trabalho pelo grande aumento do número de estabelecimentos que fornecem refeições desse tipo no município, e pela necessidade de verificação da aplicação da legislação sanitária vigente na produção de alimentos. Pesquisa realizada com uma amostra por conveniência composta por seis estabelecimentos, com a aplicação de um check list baseado na RDC 216/2004 e na RDC 275/2002 no período de novembro a dezembro de 2009. Cada item foi pontuado de acordo com o grau de perigo: 1-ruim, 2-regular, 3-bom; total de pontos possíveis =57 pontos. Os cálculos foram realizados pelo método da regra de três obtendo-se uma porcentagem de adequação: acima de 80% aprovado, entre 79% a 50% aprovado com restrições; e abaixo de 49% reprovado. Termo de consentimento livre e esclarecido (Resolução 196, BRASIL, 2006). Foram analisados: infra-estrutura; condições higiênico-sanitárias dos equipamentos, utensílios e manipuladores, recepção e armazenamento dos gêneros alimentícios. De acordo com dados obtidos 83,33% (n=5) dos estabelecimentos foram aprovados com restrições e 16,67% (n=1) foi aprovado. Conclui-se que a maioria  dos estabelecimentos ainda não se adequaram inteiramente a legislação sanitária vigente. Os itens com maiores irregularidades foram: lavatórios exclusivos para higiene das mãos (66,66%), atestado de potabilidade da água (83,33%), higienização dos utensílios e seu armazenamento (66,66%) e controle de temperatura (100%).

 

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USO DE ADOÇANTES:UMA QUESTÃO DE CONHECIMENTO

USO DE ADOÇANTES:UMA QUESTÃO DE CONHECIMENTO

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa RJ
Saúde Coletiva  (Alimentação Escolar)
AUTORES: Debora de Freitas Meneses, Marilene de Oliveira Leite
ÍNDICE REMISSIVO: Meneses DF; Leite, MO

marilene.leite@ubm.br

Resumo:Os adoçantes são substitutos naturais ou artificiais do açúcar que conferem sabor doce com menor número de calorias por grama. Basicamente, estes produtos estão direcionados a pessoas que apresentam algum distúrbio no metabolismo de açúcares (diabéticos) ou, mais recentemente, consumidores que estão em busca de produtos alimentícios de baixo valor calórico. Muitos desses se incorporaram ao nosso dia a dia, em produtos light e diet. Objetivou-se com este estudo avaliar o grau de conhecimento de um grupo de universitários, em relação ao uso de adoçantes, sendo aprovado pelo comitê de ética em pesquisa do UBM.  Foi realizada uma pesquisa de opinião com 50 universitários  de diferentes cursos, escolhidos aleatoriamente, sendo 21 do sexo masculino e 29 de sexo feminino, com idade entre 20 e 40 anos. Foi aplicado um questionário com 12 questões objetivas e fechadas. Observou-se que 70% (n=35) universitários não têm nenhum tipo de conhecimento sobre adoçantes e não fazem uso  dos mesmos. 30% (n=15) dos entrevistados relataram fazer uso de algum tipo de adoçante e dentre eles  66,6% (n=10) usam por estética, pensam que tem poucas calorias ou nenhuma e por isso emagrecem. Desses 15 que fazem uso de adoçantes 100%  responderam que não se preocupam com a composição química dos adoçantes e 96,6% (n=14) deles não seguem a recomendação de ingestão máxima diária por peso corporal estabelecida pela OMS. Dos 50 entrevistados, 44 afirmaram que  fazer uso de qualquer tipo de adoçante não faz mal a saúde. Conclui-se que o uso de forma indiscriminada e abusiva de adoçantes, faz–se necessário uma divulgação dos diferentes tipos de edulcorantes, suas características, benefícios e malefícios para um maior esclarecimento a população, pois conhece-se  muito pouco sobre o uso e os efeitos desses produtos.

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ACEITABILIDADE DA MERENDA ESCOLAR NO MUNICÍPIO DE BARRA DO PIRAÍ-RJ.

ACEITABILIDADE DA MERENDA ESCOLAR NO MUNICÍPIO DE BARRA DO PIRAÍ-RJ.

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa RJ
Saúde Coletiva  (Alimentação Escolar)
AUTORES: Milena Valente de Oliveira, Marilene de Oliveira Leite, Marcella da Silva Leite Vieira
ÍNDICE REMISSIVO: Oliveira, MV; Leite, MO; Leite Vieira,MS

marilene.leite@ubm.br

RESUMO: O presente estudo avaliou a aceitabilidade da merenda escolar em uma escola no município de Barra do Piraí-RJ. Trata-se de  um estudo transversal, com cento e dois alunos de ambos os sexos com média de idade entre sete a quatorze anos  e onze professores do sexo feminino. Foi aplicado um questionário com perguntas fechadas e abertas.Verificou-se que 88% dos estudantes merendam na escola, considerado uma aceitabilidade boa. Segundo as normas estabelecidas para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o índice de aceitabilidade das merenda escolar deverá ser  superior ou igual a 85% (BRASIL, 2004); enquanto pelos professores a aceitabilidade foi  considerada regular, onde 67% merendam na escola. O grau de satisfação em relação a merenda escolar, 49% dos alunos responderam como sendo ótima, 21% boa, 16% regular, 8% ruim e 6%  péssima. Em relação ao cardápio os alunos consideram que o prato principal,  o arroz e feijão não podem faltar, seguido do macarrão com carne moída, polenta com carne moída e cenoura, beterraba e quibe de forno recheado com abobrinha. Muito destes alunos tem na escola a sua principal refeição. Observou-se também que os legumes preferidos são os mais coloridos e que são apresentados com preparações variadas. Entre os professores 42% optaram pelo risoto de frango com cenoura e 33% afirmaram não consumir nenhum tipo de refeição na escola pelo horário não compatível com suas refeições costumeiras. Conclui-se que o cardápio elaborado pela nutricionista da Secretaria Municipal de Educação e Desporto do município de Barra do Piraí apresenta-se bastante variado e diversificado, atendendo  aos 15% das recomendações nutricionais diárias para crianças com permanência de 4h/dia na escola, no entanto ressalta-se a importância de programas de educação nutricional que envolvam alunos e familiares, professores, merendeiras  para consolidação de hábitos alimentares saudáveis, com o objetivo de fornecer conhecimento, esclarecimento e orientação sobre alimentação e nutrição.

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AVALIAÇÃO DO CONSUMO DE REFRIGERANTES POR FUNCIONÁRIOS DE UMA UAN LOCALIZADA NO MUNICÍPIO DE PORTO REAL-RJ.

 

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa -RJ
Alimentação Coletiva  (Alimentação do Trabalhador)
AUTORES:Marcella da Silva Leite Vieira, Marilene de Oliveira Leite

ÍNDICE REMISSIVO:Leite Vieira, MS; Leite, MO

marilene.leite@ubm.br 

RESUMO: O consumo de refrigerantes regulares cresceu 12%, enquanto que os de baixas calorias cresceu 93% no período de 2004 a 2008. Objetivou-se com o presente estudo avaliar o consumo de refrigerantes pelos funcionários de uma UAN e o conhecimento dos mesmos sobre a composição dos refrigerantes.Trata-se de uma pesquisa observacional realizada com 16 funcionários efetivos, sendo 62,5% sexo feminino e 37,5% sexo masculino. A faixa etária do grupo variou entre 18 anos e mais de 36 anos, onde 18,8% (n=3) possuem idade entre 19 e 25 anos, 12,5% (n=2) entre 26 a 31 anos, 12,5 % (n=2)  entre 31 a 36 anos e 56,2% (n=9) possuem idade acima de 36 anos. Foi aplicado um questionário com onze perguntas fechadas e uma aberta. Como critérios de inclusão, os funcionários deveriam ser maiores de 18 anos, estar trabalhando na firma a mais de três meses. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do UBM. Do total de entrevistados, 87,5 % (n=14), consomem refrigerante, e 12,5% (n=2) dizem não consumir nenhum tipo de refrigerante. Entre os que consomem, 50% (n=7) consomem somente no final de semana, 35,7% (n=5) consomem diariamente e 14,3 % (n=2) apenas duas vezes por semana. Quanto a quantidade de refrigerante usualmente consumida por dia, 71,4 % (n=10) responderam que ingerem 400mL, 21,4% (n=3) mais de 400mL e 7,1% (n=1) 200mL, sendo o refrigerante mais consumido  o do tipo cola (68,8%). A maioria 68,8% (n=11)  não conhecem a composição da bebida, enquanto que 31,2% (n=5) afirmaram conhecer. Sobre o consumo de refrigerantes light, 75% (n=12) dos entrevistados disseram que o mesmo não pode ser consumido à vontade, enquanto que 25% (n=4) acham que sim e, 100% dos entrevistados afirmaram que refrigerante causa celulite (Fibro Edema Gelóide). Conclui-se que a falta de informação acerca da composição completa de alimentos e bebidas, como o refrigerante, levar o consumidor a ter uma falsa idéia de alimento saudável, pois todos desconhecem a presença do ácido fosfórico, nos refrigerantes tipo cola regulares e nos de baixa caloria.

 

  BIBLIOGRAFIA

 ABIR. Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas. Disponível em <http://www.abir.org.br/&gt;, Acesso em 30/09/2009.

  EVANGELISTA, J. Tecnologia de Alimentos. 2ª edição. São Paulo: Atheneu, 2008, 652p.

 FISBERG, M.; AMANCIO, O. M. S.; LOTTENBERG, A. M. P. O uso de refrigerante e a saúde humana. Pediatria Moderna. São Paulo, v. XXXVIII, n.6, junho, 2002.

 EVANGELISTA, J. Tecnologia de Alimentos. 2ª edição. São Paulo: Atheneu, 2008, 652p.

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UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DO SUL FLUMINENSE – RJ: UM ESTUDO SOB O OLHAR DOS ESTAGIÁRIOS DE NUTRIÇÃO

Karina de Oliveira Carvalho1; Sílvia Moreira de Oliveira2; Joice Lopes Werneck3; Marilene de Oliveira Leite4*; Fernando Antônio Cabral de Sousa Júnior5

* Graduandos de Nutrição1,2,3; Doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos 4*; Mestre em Nutrição Humana5*. *CURSO DE NUTRIÇÃO – Centro Universitário de Barra Mansa – UBM. Rua Vereador Pinho de Carvalho 267, Barra Mansa – RJ – Brasil. marilene.leite@ubm.br

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Resumo

A graduação em nutrição permite a atuação na atenção básica à saúde, visando a segurança alimentar e nutricional e a atenção dietética, mesmo porque a nutrição deve estar inserida dentro de todos os locais onde a alimentação e nutrição sejam importantes para a prevenção,  manutenção, recuperação e promoção da saúde. Então era de se esperar que o nutricionista estivesse integrado plenamente em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a Rede Básica de Saúde (RBS), o que na verdade não ocorre. Nas últimas décadas, tem ocorrido uma transição nutricional onde se aumentou o número de óbitos por doenças crônicas não transmissíveis, sendo as doenças cardiovasculares as causas mais comuns, e entre os fatores de risco para o seu desenvolvimento encontram-se o diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Objetivou-se com o presente estudo destacar a importância da atuação do nutricionista na atenção básica a saúde. A pesquisa é do tipo transversal, realizada em unidade básica de saúde às terças-feiras no horário vespertino, por acadêmicas, no período de agosto a dezembro do ano de 2009. Os resultados apontam que foram realizados 86 atendimentos e 42 revisões, onde 74,4% (n=64)  pertenciam ao sexo feminino e 25,6% (n=22) masculino. Correspondem à população adulta 97% (n=83) e 3% (n=3) infantil, quanto a prevalência de morbidades os maiores índices encontrados foram 42% de sobrepeso/obesidade 26% de hipertensão arterial, 16% de diabetes mellitus, 8% dislipidemia e 8% hiperuricemia . Realizou-se oficinas e palestras educativas , a partir de uma programação pré-definida, de acordo com as necessidades locais. Ocorreu uma maior participação na palestra sobre imunonutrição 35%, na interação fármaco versus nutriente 29% e na oficina sobre alimentos funcionais 14%. Através do estágio supervisionado em nutrição clínica, as estagiárias tiveram a capacidade de atuar nas unidades básicas de saúde, divulgando através do desenvolvimento de estratégias e ações a importância da atuação do nutricionista junto à comunidade. Concluiu-se que é de fundamental importância a inserção do profissional nutricionista na atenção básica de saúde. Palavras-chave: Unidade Básica de Saúde, estagiários, nutrição. ___________________________________________________________________________________________________________________________

INTRODUÇÃO

  A atenção básica é caracterizada como ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde biopsicossocial, na qual a atuação profissional nessa área deve envolver algo além da formação técnica, que envolveria uma formação humana apurada para atuar na comunidade. 1

De acordo com Chiapinotto et al.2 há uma controvérsia na unidade básica de saúde entre as prioridades de trabalho mediante a impossibilidade de atender todas as demandas, ainda cita-se que as crianças que apresentam risco nutricional são as que mais freqüentam o posto de saúde e que os problemas além de se repetirem são sempre os mesmos.

No Brasil, nas últimas décadas, tem ocorrido uma transição nutricional onde se aumentou o número de óbitos por doenças crônicas não transmissíveis, sendo as doenças cardiovasculares as causas mais comuns, entre os fatores de risco para o seu desenvolvimento encontram-se o diabetes mellitus e a hipertensão arterial. O acompanhamento das pessoas com diabetes mellitus e hipertensão arterial deve ser realizado dentro de um sistema hierarquizado de saúde, na qual a sua base é a atenção primária de saúde. 3

As doenças crônicas não transmissíveis levam uma sobrecarga no Sistema Único de Saúde, pois demandam de mais ações, além de serem de longa duração. O desenvolvimento de tais doenças é favorecido pelo hábito alimentar das famílias brasileiras, em que ocorre um aumento do consumo de alimentos fontes de gordura, açúcar e sódio e a diminuição dos alimentos fontes de fibras, vitaminas e minerais. 4

Para que a saúde pública consiga atuar diante esse problema, é essencial a promoção da alimentação saudável, estabelecendo como foco o curso da vida. Logo, a atuação do nutricionista na promoção da saúde deve incluir desprendimento, envolvimento, criatividade e ousadia. Muitos usuários da atenção básica desconhecem o trabalho do nutricionista, atribuindo a este a única função de elaboração de dietas. 6,4,5

É recomendado pela Organização Mundial da Saúde que os país desenvolvam estratégias de prevenção primária para a modificação do hábito alimentar da população, para possibilitar a diminuição do consumo de gorduras e amiláceos, aumentando o consumo de frutas e hortaliças. 6

Desta forma o presente estudo tem como objetivo destacar a importância da atuação do nutricionista na atenção básica a saúde.

 

MÉTODOS

 A pesquisa é do tipo longitudinal e foi realizada durante o estágio de nutrição clínica no segundo semestre de 2009, em uma unidade básica de saúde localizada na região Sul Fluminense – RJ.

A amostra foi composta por 86 usuários de uma unidade de saúde de atenção básica que receberam atendimento nutricional através dos estagiários de nutrição de um centro universitário. Os dados apresentados ao longo do artigo foram obtidos a partir dos prontuários dos mesmos. Os dados foram caracterizados por sexo, grupo etário, prevalência de morbidades, número de atendimentos e de participantes nas oficinas e salas de espera. Para a análise dos dados utilizou-se o pacote do Microsoft Office Excel versão 2003.

As principais limitações encontradas durante a realização do estágio foi ser realizado apenas uma vez na semana, sendo que os atendimentos ocorriam durante o período da tarde. Desta forma, não foi possível o acompanhamento de um número maior da população.

 

RESULTADOS

 Com referência a característica da clientela atendida durante o segundo semestre de 2009, foram realizados 86 atendimentos aos moradores do bairro e adjacências de diferentes classes sócio-econômicas e ainda 42 revisões, conforme tabela 1.

Tabela 1. Número de atendimentos no 2º semestre de 2009.

  n %
Atendimentos 86 100
Revisões 42 48,8

Da população atendida observou-se que 74,4% pertencem ao sexo feminino, segundo demonstrado pela tabela 2.

Tabela 2. Número de Atendimentos por Sexo.

  n %
Masculino 22 25,6
Feminino 64 74,4

Com relação grupo etário observou-se que 94% (n=81) são da população adulta, de acordo com a tabela 3.

Tabela 3. Número de Atendimentos por Grupo Etário.

  n %
Infantil 2 2
Adolescente 1 1
Adulto 83 97

Observa-se na tabela 4 a prevalência de morbidades, onde os maiores índices encontrados foram 42% de sobrepeso/obesidade, 26% de hipertensão arterial e 16% de diabetes mellitus.

Tabela 4. Prevalência de Morbidades

  n %
Diabetes Mellitus 14 16
Hipertensão Arterial 22 26
Hiperuricemia 7 8
Sobrepeso/Obesidade 36 42
Dislipidemia 7 8

Nota-se na tabela 5 que ocorreu uma maior participação da população, sendo 35% na palestra sobre imunonutrição, 29% na interação fármaco versus nutriente e 14% na oficina com o tema alimentos funcionais.

Tabela 5. Número de Participantes nas Oficinas e Salas de Esperas.

  n %
Oficina Hipertensão arterial 7 10
Oficina Obesidade 8 12
Oficina Alimentos Funcionais 10 14
Sala de Espera Imunonutrição 24 35
Sala de Espera Interação Fármaco-Nutriente 20 29

 

DISCUSSÃO

 Os resultados apresentados vão de encontro aos apontados por Ronzani e Silva1, onde a caracterização dos usuários da unidade de saúde correspondia a 76,3% por mulheres e a faixa etária predominante era dos 31 aos 50 anos de idade (44,4%), foram identificados 25% de hipertensão arterial e 93,4% de sobrepeso/obesidade. Paiva et al.3, destaca em sua pesquisa que 52 pacientes possuíam hipertensão arterial e 42 diabetes mellitus, com uma alta concentração no sexo feminino, na faixa etária dos 31 a 60 anos.

Quanto ao número de atendimentos, Pádua e Boog7 ressaltam que a partir do momento que a população conhece o trabalho do nutricionista, aumenta-se a busca por encaminhamento, da mesma maneira começam a surgir problemas específicos de nutrição, que já existiam, mas só foram identificados após atenção específica.

Segundo Paiva et al.3 embora a assistência básica valorize a integralidade, através dos atendimentos médicos e da enfermagem, bem como de trabalhos em grupos, 53,1% dos usuários entrevistados referiram nunca terem participado de palestras, grupos ou aulas relacionados com as suas doenças, pois não atendiam as suas necessidades. Os serviços de saúde têm dado pouca importância às atividades para a promoção de ações educativas e há uma dificuldade da equipe de saúde em criar estratégias eficientes de prevenção e promoção da saúde, dessa forma não há um ajuste entre o contexto social e histórico da população, os objetivos da equipe de saúde e os objetivos da população. Devido à falta do nutricionista, os agentes de saúde e enfermeiros realizam certas atividades de forma inadequada e/ou superficial, baseando-se muitas vezes em informações obtidas através da mídia, no qual nem mesmo os médicos têm a capacitação necessária para lidar com as questões alimentares. 1,8,9,10,6

A sala de espera, que é o local onde os clientes aguardam a consulta, é um local estratégico para transmitir informações sobre como cuidar da saúde, neste espaço físico que as palestras educativas ocorreram, a partir de uma programação pré-definida, de acordo com as necessidades locais. As ações de educação em saúde para a população têm resultados respeitáveis na edificação de uma nova forma de refletir sobre a saúde, consolidando um trabalho efetivo envolvendo a comunidade e os usuários no cuidado e promoção a saúde. 11,8 Logo, através do estágio supervisionado em nutrição clínica, os estagiários tiveram a capacidade de atuar nas unidades básicas de saúde, divulgando através do desenvolvimento de estratégias e ações a importância da atuação do nutricionista junto à comunidade.

A graduação em nutrição permite a atuação na atenção básica à saúde, visando à segurança alimentar e nutricional e a atenção dietética, mesmo porque a nutrição deve estar inserida dentro de todos os locais onde a alimentação e nutrição sejam importantes para a prevenção, manutenção, recuperação e promoção da saúde. O nutricionista está apto a receber as atribuições que lhes são designadas, objetivando comprovar o seu potencial de atuação, participando de forma efetiva na reformulação da atenção a saúde no Brasil, diminuindo as despesas com saúde pelo Estado. Então era de se esperar que o nutricionista estivesse integrado plenamente em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a Rede Básica de Saúde (RBS), o que na verdade não ocorre. 6, 7

A falta do nutricionista nas unidades básicas de saúde muitas vezes está relacionada com a visão que os gestores públicos possuem, revelando que ainda não tomaram ciência da importância da atuação deste profissional, influenciada pela questão histórica e estrutural na política de saúde Com a inserção do nutricionista na equipe de saúde há uma melhor divisão do trabalho, gerando a diminuição da sobrecarga de funções e atividades, aperfeiçoamento do atendimento ao usuário e esclarecimento sobre a alimentação da comunidade para os demais profissionais de saúde. 6, 7

Embora a solicitação da nutrição para o desenvolvimento dessas ações não sejam lembradas, quando ocorre à inserção do nutricionista na unidade de saúde a demanda é muito alta. Portanto, se o nutricionista estivesse integrado na RBS, às ações aconteceriam de forma espontânea. 7

As estratégias de saúde na nutrição devem ser constituídas através da caracterização epidemiológica da comunidade e dos familiares, com a descrição dos agravos, prioridades, potencialidades e possibilidades de atuação a partir do reconhecimento da situação alimentar e nutricional. O local considerado privilegiado para a execução dessas ações é a unidade básica de saúde, incentivando e apoiando a adoção de hábitos alimentares saudáveis, permitindo a transmissão de informações e uma reflexão crítica a cerca dos fatores coletivos e individuais que influenciam o exercício em nutrição e saúde na comunidade, favorecendo o discernimento da população. Logo, existe um grande desafio no Sistema Único de Saúde (SUS) que é referente ao fortalecimento da rede de nutrição. 4

CONCLUSÃO

 Os resultados das atividades desenvolvidas em campo de estágio vêm demonstrando a importância para a comunidade da construção de uma relação mais estreita entre esta e a vigilância da saúde, nutrição e alimentação na comunidade através de trabalhos de educação, conscientização e acompanhamento nutricional.

Devido à falta de profissionais nutricionistas, muitos usuários do SUS recebem orientações dietéticas inadequadas, não incorporando a mudança no estilo de vida e os hábitos alimentares saudáveis, portando não associando o tratamento clínico ao tratamento farmacológico. A nutrição é um alicerce para procedimentos fisiológicos e também patológicos, pois nada ocorre no organismo sem a ação de algum elemento nutricional. Portanto, a partir da inserção do nutricionista na atenção básica é possível promover a perda de peso necessário, reduzir os riscos de complicações, ou seja, atuar na prevenção, proteção, promoção e recuperação desses agravos, aumentando a assegurando a qualidade de vida da população.

O nutricionista é o único profissional que tem um conhecimento específico obtido através de sua formação acadêmica, utilizando de instrumentos e métodos adequados para efetuar o diagnóstico nutricional do indivíduo e da comunidade, vendo o indivíduo através de uma visão holística, desenvolvendo orientações dietéticas de acordo com a realidade de cada família.

O tratamento das doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemias e obesidade, entre outras, incluem a educação em saúde. A educação em saúde envolve a realização de palestras e oficinas que atendam a demanda da comunidade, pois são fundamentais que estas sejam instruídas sobre o que é determinada doença, os fatores que podem desencadeá-las e os princípios que fundamentam sua prevenção e tratamento.

Dentro das medidas para a prevenção, promoção e recuperação da saúde destaca-se o atendimento nutricional individualizado, onde é efetuado o diagnóstico nutricional do paciente e as orientações e prescrições dietéticas de acordo com a necessidade nutricional e levando em consideração as condições socioeconômicas do indivíduo de forma ética e humanitária, possibilitando uma correta modificação no estilo de vida.

  Portanto, através deste trabalho pode-se perceber a importância da atuação do nutricionista na atenção primária de saúde trabalhando como agentes promotores de saúde.

BIBLIOGRAFIA

1. RONZANI, T.M; SILVA, C. de M. O Programa Saúde da Família segundo profissionais de saúde, gestores e usuários. Ciênc. saúde colet. jan./fev 2008; 13(1):23-4.

2. CHIAPINOTTO, L; FAIT, C.S; JÚNIOR, M.M. O Modo de Fazer Saúde: reflexões sobre o cotidiano de uma unidade básica de saúde de Porto Alegre – RS. Saúde Soc. jan/abr, 2007; 16(1):155-64.

3. PAIVA, D.C.P. de; BERSUSA, A.A.S; ESCUDER, M.M.L. Avaliação da assistência ao paciente com diabetes e/ou hipertensão pelo Programa Saúde da Família do Município de Francisco Morato, São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública. fev 2006;22(2):377-85.

4. COUTINHO, J.G; GENTIL, P.C; TORAL, N. A desnutrição e obesidade no Brasil: o enfrentamento com base na agenda única da nutrição. Cad. Saúde Pública. 2008; 24 Suppl 2:332-40.

5. BOOG, M.C.F. Atuação do nutricionista em saúde pública na promoção da alimentação saudável. Rev. Ciênc. Saúde. jan/jun, 2008; 1(1): 33-42.

6. SANTOS, A.C. de. A inserção do nutricionista na estratégia de saúde da família: o olhar de diferentes trabalhadores de saúde. Fam. Saúde e Desenv. set/dez 2005; 7(3):257-65.

7. PÁDUA, J.G. de; BOOG, M..C.F. Avaliação da inserção do nutricionista na Rede Básica de Saúde dos municípios da Região Metropolitana de Campinas. Rev. Nutr. jul/ago, 2006; 19(4):413-24.

8. ALBUQUERQUE, P.C. de; STOTZ, E.N. A educação popular na atenção básica a saúde no município: em busca da integralidade. Comunic., Saúde, Educ. mar/ago 2004. v.8(15):259-74.

9. PEDROSA, J.I. dos S; TELES, J.B.M. Consenso e diferenças em equipes do Programa Saúde da Família. Rev. Saúde Pública. 2001; 35 (3):303-11.

10. LEVY, F.M; MATOS P.E. de S; TOMITA, N.E. Programa de agentes comunitários de saúde: a percepção de usuários e trabalhadores da saúde. Cad. Saúde Pública. jan/fev 2004; 20(1):197-203. 11. MELO, G; SANTOS, R.M. dos; TREZZA, M.C.S.F. Entendimento e práticas de ações educativas de profissionais do Programa Saúde da Família de São Sebastião-AL: detectando dificuldades. Rev. Bras. Enferm. mai/jun 2005; 58(3):290-5.

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Saúde:uma questão de saúde Pública

SILVA, R. M. L. da. Saúde: uma Questão de Saúde Pública. 2010. 43p. Monografia (Graduação em Nutrição). UBM – Centro Universitário de Barra Mansa, RJ. Orientação de Profª Dra. Marilene de Oliveira Leite

A saúde é um direito humano, e cabe ao estado se empenhar, por meio de políticas sociais e econômicas, que visem à redução do risco de doenças, através do acesso universal e igualitário aos serviços para sua promoção, proteção e recuperação. O presente trabalho teve como objetivo o estudo dos principais fatores que diretamente confirmam que a saúde é uma questão de Saúde Pública, elecando os fatores condicionantes da saúde, bem como abordando políticas públicas brasileira e inter-relação com o campo da nutrição e alimentação na melhoria da qualidade de vida do cidadão, por meio de copilações de dados, através de pesquisas bibliográficas pertinentes: utilizando meios de comunicação, banco de dados do scielo, artigos científicos, sites governamentais e livros, no período de 1948 a 2010. A saúde está intimamente ligada à qualidade de vida, que por sua vez depende de toda uma estrutura que garanta alimentação adequada, habitação com água e esgoto canalizados, trabalho com salários dignos e suficientes para cobrir o custo de vida, transporte público de boa qualidade, educação para todos como prioridade para o desenvolvimento do país, segurança pública que garanta o direito a qualquer cidadão de ir e vir sem ser vítima de tráfico de drogas e bandidos, lazer e respeito ao meio ambiente garantindo assim um planeta também saudável. Apesar de inúmeras propostas governamentais desenvolvidas no país, o mesmo ainda se encontra com tantas desigualdades, refletindo diretamente na saúde da sua população, necessitando de um redirecionamento dessas políticas, principalmente no que diz respeito a uma maior inserção do Nutricionista no contexto da Saúde Pública, já que se torna evidente a demanda para o trabalho deste profissional como membro integrante de uma equipe multiprofissional, uma vez que os problemas relacionados à saúde incluem os aspectos nutricionais tanto em serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos necessitando de grande conhecimento técnico e científico na área. Palavras-chave: Saúde, Saúde Pública, Políticas Públicas brasileira, Nutricionista.

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IMPORTANCIA DO USO DE EPIs EM UMA UNIDADE DE ALIMENTAÇÃO: PREVENÇAO E HIGIENIZAÇÃO



AUTORES: Silva, S. M.; Leite,M.O.

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa ,RJ Brasil.

marilene.leite@ubm.br

 

Alimentos preparados em Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN) onde não há uso correto de equipamentos de proteção têm sido freqüentemente envolvidos em surtos de intoxicação e infecção alimentar. Registros epidemiológicos revelam que a maioria dos surtos de doenças de origem alimentar diagnosticados é atribuída a patógenos veiculados por alimentos preparados nesses locais que não fazem a higienização correta dos alimentos e utensílios. Objetivou-se neste estudo destacar a importância da higienização correta dos alimentos, utensílios e  o uso do EPI em uma unidade de alimentação com vista à  redução do risco de contaminação alimentar dos comensais e acidentes de trabalho dos funcionários. A metodologia desenvolvida foi investigativa e  observacional , utilizando-se como instrumento de coleta de dados um questionário aplicado através de entrevistas, com participação de 95 funcionários de uma UAN  localizada  na cidade de Resende-RJ. Foi realizado também um levantamento entre os meses de janeiro e novembro de 2009, sobre o numero de acidentes na UAN.Os dados coletados nas entrevistas foram analisados através do cálculo de porcentagens do aparecimento das respostas, o que permitiu traçar um panorama de como os funcionários desta empresa percebem a relação entre segurança no trabalho e qualidade higiênico sanitária na produção de refeições. Os dados obtidos demonstram que 89.5% ( n = 85) dos funcionários da empresa  consideram a qualidade do serviço prestado como sendo muito importante, enquanto 10.5% ( n =10) acham regular. Para os entrevistados as medidas enumeradas por ordem de importância para uma produção de refeição com boa qualidade 91,5% (n = 87) acham  importante a manutenção da equipe de funcionários,  93,6%  ( n = 89) o controle dos fornecedores e 84,2% (n =80) a  capacitação periódica. Foi encontrado um acidente no mês de janeiro e dois no mês de  abril. A UAN é dividida em três restaurantes, onde constatou-se que todos os acidentes aconteceram no restaurante central onde é produzida toda alimentação. A parte do corpo mais afetada foram  os dedos das mãos e os acidentes aconteceram com os funcionários com mais tempo de casa. Apesar de 89,5% dos  funcionários considerar a qualidade do serviço boa, um grupo menor 15,7% ( n=15) não identifica a relação entre esta qualidade e a segurança no trabalho através do uso de EPI. Através dos dados obtidos conclui-se que a grande maioria dos funcionários encontram-se enganjados  e primam por uma produção de qualidade e utilização dos EPIs. Sugere-se campanhas educativas e preventivas aplicadas as UAN, levando em consideração todos os fatores envolvidos no ambiente de trabalho como: agentes ambientais, ergonômicos e o risco de desenvolvimento LER/DORT induzido por um trabalho repetitivo. Com base nas respostas dadas pelos funcionários, na participação oral e interesse durante toda a entrevista, é possível perceber que este foi oportuna, e uma forma a motivá-los na execução carreta das atividades.

 

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NUTRICIONISTAS NA REGIÃO SUL FLUMINENSE: ATUAÇÃO, FORMAÇÃO E TENDÊNCIAS

AUTORES: Almeida, S.T.; Leite,M.O.

UBM – Centro Universitário de Barra Mansa , RJ. Brasil.

marilene.leite@ubm.br

 

O profissional de nutrição vem conquistando espaços e, cada vez mais se inserindo em setores e serviços diferenciados. O objetivo deste trabalho foi verificar o crescimento da área de Nutrição e Alimentação na Região Sul Fluminense através da atuação dos profissionais nutricionistas nas diferentes áreas, e destacar as oportunidades de novos espaços á serem conquistados, os serviços diferenciados e a expansão do mercado de trabalho para o Nutricionista que vem contribuindo cada vez mais para melhoria da saúde e bem estar da população. Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva,  realizada de outubro de 2009 a junho de 2010, com 47 profissionais nutricionista,  enviando um questionário via e-mail para diferentes Instituições, abordando as questões: área de inserção do profissional no mercado de trabalho; tempo de atuação na área; ano de formação; jornada média de trabalho; grau de satisfação em relação ao cargo ocupado; dificuldades na aquisição do primeiro emprego após o término da graduação; formas de atualização de conhecimentos profissionais. Como critérios de inclusão, os nutricionistas deveriam estar trabalhando na firma a mais de três meses. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa do UBM Do total  de entrevistados 94% (n = 44) são mulheres e apenas 6% (n = 3) são homens. Em relação á faixa etária, verificou-se que 36% (n = 17) estavam entre 26 e 30 anos, 28% (n = 13) estavam entre 20 e 25 anos, 28% (n = 13) entre 31 e 40 anos e 8% (n = 4) com mais de 40 anos. quanto ao estado civil, 68% (n = 32) são solteiros, 30% (n = 14) são casadas e 2% (n = 1) viúva. Quanto ao cargo que exercem 20 são nutricionistas, 8 são gerentes de unidades, 6 estão na área de docência, 4 realizam supervisão, 5 são responsáveis técnicos, 2 em consultoria, 1 atenção básica, 1 NASF, 1 coordenação de UAN, 1 administração de contratos, 1 nutricionista de custo e 1 chefe hospitalar. Quando questionados sobre a atividade em conformidade com o cargo em que foi  contratado 87% (n = 41) responderam  sim e 13% (n = 6. Quanto a participação em cursos e treinamento para a atividade que exerce 72,3% (n = 34) afirmaram realizar e apenas 27,7% (n = 13) não realizaram nos últimos 2 anos. Dos 47 nutricionistas que participaram da pesquisa 51% (n = 24) exercem a profissão em mais de uma área de atuação, sendo que a maioria 51% (n = 36) estão atuando em Alimentação Coletiva, 29% (n = 21) em Clínica, 10% (n = 7) em Saúde Coletiva, 8% (n = 6) em Docência e apenas 2% (n =1) em Nutrição Esportiva. Analisando o tempo total de serviço pode-se observar que 17,5 (n = 8) tem menos de 1 ano, 38% (n =18) tem entre 1 e 4 anos,11% (n=5) entre 4 e 7anos,11% (n = 5) entre 7 e 10 anos e 23% (n = 11) mais de  10 anos. Quanto a Instituição de Ensino 87% (n = 41) realizaram sua formação acadêmica em Instituições privadas, 11% (n = 5) em Instituições Federais e apenas 2% ( n = 1) em Instituição Estadual. Observou-se  que 77% (n =36) estão atuando na área de sua preferência, mas 17% (n = 8) não estão na área que gostaria,6% (n =3) não opinaram. Quanto a satisfação profissional, 79% (n =37)  disseram estar satisfeitos com a profissão e apenas 21% (n =10) mostram-se insatisfeitos principalmente pelos salários baixos e também pela carga horária que é alta, 48% (n = 21) tem sua jornada de trabalho de mais de 8 horas por dia. Quanto a dificuldade para conseguir o primeiro emprego 62% (n= 29) afirmaram que não tiveram dificuldades em se inserir no mercado de trabalho. Conclui-se que hoje o mercado de trabalho requer um profissional qualificado e com visão holística.No Estado do Rio de Janeiro concentram 34 Instituições que oferecem o Curso de graduação em Nutrição, sendo que destas 85% são Instituições privadas.Como categoria profissional  é uma profissão que caracteriza muito bem o mundo de hoje, em que a preocupação com a qualidade de vida torna-se cada vez maior.

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